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A decisão que mudou minha vida universitária

Um processo seletivo que abriu portas além da minha concepção
13/10/19   |   Pedro Fernandes
Unb

Ingressar em uma empresa júnior pode ser uma experiência intensa, principalmente para um calouro em sua primeira semana de faculdade, mas eu me aventurei nesse desafio. Eu nunca tinha participado de uma entrevista de emprego antes e, com o objetivo de aprender como seria essa sensação, eu domei minha ansiedade e me inscrevi para a Empresa Júnior de Computação da UnB, a CJR.

As empresas juniores são constituídas pela união de alunos matriculados em cursos de graduação em instituições de ensino superior, organizados com o intuito de realizar projetos e serviços que contribuam para o desenvolvimento do país e de formar profissionais capacitados e comprometidos com esse objetivo. Tudo era novo para mim: o ambiente universitário, as pessoas e a atmosfera. Estava esperando uma entrevista formal e séria, focada nos meus conhecimentos prévios sobre computação, e isso me deixava bem apavorado, mas estava lá pela experiência. Porém, já no começo da entrevista, eu soube que não seria daquela forma porque o que eles procuravam eram pessoas com vontade de aprender, e não pessoas que já soubessem de tudo. Nesse momento eu senti que eu tinha chance.

Depois da entrevista houve uma dinâmica para testar a forma com que os candidatos se relacionavam com trabalho em grupo, criatividade e vontade. Nesse momento, pudemos aprender mais sobre cada um dos candidatos. Por dois dias, esperei ansiosamente o resultado. Agora não era só uma chance de adquirir experiência, eu poderia realmente conseguir entrar na CJR. Metade dos que participaram do processo seletivo conseguiram seguir adiante. Agora éramos trainees, e seria um semestre de aprendizado para no final sermos membros de verdade da CJR.

O processo trainee durou um semestre e por muitas manhãs estudamos as técnicas de HTML, CSS, JavaScript e Ruby. Percebi que a CJR poderia me proporcionar muito mais que só conhecimento técnico: eu iria trabalhar em grupo, a negociar com clientes e me relacionar melhor com pessoas. Só no processo trainee, já aprendi muito além do que eu havia aprendido sobre computação em um semestre de faculdade e esse era só o começo da minha jornada na CJR.

Graças à universidade, o tempo passou muito rápido. Em um piscar de olhos, o processo trainee já estava quase no fim, porém eu não esperava pelo que estava por vir. O dia do anúncio do projeto final chegou: grupos de três pessoas foram escolhidos aleatoriamente junto com um monitor, um antigo membro da CJR que iria ajudar e analisar os trabalho do grupo. A tarefa designada foi criar um site de venda de refeições no Rails, o qual é uma plataforma de desenvolvimento de sites full stack que possibilita desenvolver da parte de front-end e back-end, juntando HTML, CSS e Ruby.

Comecei o trabalho apavorado, pois parecia algo muito distante das minhas capacidades. O que aprendemos não englobava todo o necessário, e eu pouco conhecia de Rails. Para piorar, não tinha ideia de como seria trabalhar com meu grupo ou como seria o monitor. Eu tinha um mês para derrotar esse Final Boss.

Porém, logo essa situação se inverteu. Com o seguir do projeto eu pude conhecer mais dos meus companheiros de trabalho. O monitor se tornou quase um mentor para o grupo, que por meio de dicas e exemplo motivou e guiou o grupo para o caminho certo, coordenando de forma a melhor distribuir as funções. Além disso os outros dois membros mostraram do que eram capazes e estavam dispostos a aprender o que ainda não sabiam e se dedicar ao máximo. Dessa forma, impulsionados na confiança mútua do grupo, pudemos ir além e terminar o site a tempo e com todas as funções designadas.

O dia da apresentação enfim chegou e a ansiedade da decisão final despertou não só no meu grupo, como em todos os outros. Seria comum que os grupos não se dessem bem, já que só alguns iam conseguir entrar na empresa júnior. Entretanto, naquele dia, além de ter uma ligação maior com meu grupo, todos os grupos ficaram mais unidos. Por todos terem passado por todas as dificuldades havia uma empatia que nos aproximava. E, um por um, os grupos se apresentaram, até que chegou nossa hora.

Com uma mistura de ansiedade e empolgação, nos adentramos à sala e fizemos nossa apresentação. Foi um sucesso! Apesar do resultado não ter saído ainda, todo o meu grupo estava feliz e podíamos ver que nosso monitor estava orgulhoso. No final daquele dia, eu voltei para a casa com mais conquistas do que no começo do semestre imaginei que teria. Tanto no quesito técnico quanto no quesito pessoal, me senti realizado, pois não presumia que poderia me superar para chegar ao meu objetivo graças ao apoio e confiança de outras pessoas.

Sobre o autor:

Pedro Fernandes
Consultor de Imagem e Publicidade

Oi, eu sou o Pedro! Gosto muito de programar e assistir Gravity Falls.